EVENTOS E PARCERIAS



Em junho 30 dias e 30 poemas aqui!

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sábado, 13 de fevereiro de 2016

MEU ESTILO DEAD POOL DE SER




Sem frescuras


Sou de verdade!
Não sou bonzinho;
Não sou bonitinho;
Tenho meus espinhos;
Ronco a noite;
Suo quando me exercito;

Falo coisas diferentes e estranhas;
O melhor de mim é exatamente aquilo que ninguém conhece.
Meu dia é longo;
Minha noite é curta; 
Sou um descarado contumaz ...
Como tudo que quero!

Como gordura;
Como glúten;
Tenho colesterol;
Pressão alta;
Minha opinião é uma viagem à uma estrela distante:
Sei de onde parti, mas não sei onde irei chegar.

Falo alto, e, as vezes, baixo demais;
Não gosto de chuva;
Não gosto de praia;
Ouço todos os ritmos de músicas;
Meu amor é único;
Minha vida é esta que estou vivendo.

Meu futuro vou fazendo na hora;
Aproveito meu dia;
Não tenho pressa;
Sou aquilo que você seria se tivesse culhões
Tenho medo de altura, aranhas e  de eu mesmo;
Faço caretas e canto no chuveiro.

Não gosto de mentiras;
Não gosto de pessoas mentirosas;
Não respeito leis idiotas; 
Não mato quem não pode se defender;
Sou do tempo que se falava  ecologista;
Vivo pela verdade é sei que um dia morrerei por ela.

Morrerei um dia...
Sou de carne e osso!
Mas estou destinado ao infinito universo quântico!

Nunca fiquei bêbado na vida;
Nunca perdi a consciência ou fui hipnotizado;
Tenho o lado esquerdo diferente do direito;
Faço poemas, sou poeta, mas não sou escritor;
O que quero pertence ao etéreo;
Não deixo que ciganas leiam as minha mãos;
Ninguém deveria saber o que eu sei.

Sou feito da mesma substância que foram feitos meus heróis...
Substância que criam e destroem mártires;
Não quero reconhecimento ou fama; 
Espero apenas sobreviver mais um dia;
Estou contido no mundo, mas não pertenço a ele.

Sou maior que consigo externar e menor do que a pequenez insignificante do Big Ben;
Sou feito de ódio, fogo e fúria; 
Temperado com açúcar, amor e carmim; 
Não quero ser entendido e não espero entender ninguém;
Estou presente tanto na dúvida quanto na certeza; 
Não sou perfeito, nem quero ser!




Não sou educado e falo palavrão;
Não tenho medo do escuro, nem da escuridão;
Não tenho medo do mal, eu sou o mal!
Luto todos os dias contra uma compulsão de destruir tudo;
Sou um leão entre os vermes;
Sou um diamante encontrado na lama e um lobo entre os cordeiros.

Não tenho predileção por nenhum ser humano em especial; 
A humanidade é algo defeituoso e ao mesmo tempo extraordinário;
Já senti pena, amor e cobiça;
Hoje não sinto dor, remorso ou culpa;
Na verdade...
Hoje não sinto mais nada.

                                                 

                                                                                           Valdemar Costa

sábado, 21 de janeiro de 2012

Sem Romance

Sem Romance
 
Eu a olhei de longe como quem  fita o alvo antes do tiro
Fui ao seu encalço como um cão farejando sua caça
Aproximei-me com a prudência dos malandros da lapa
De perto vi seus olhos azuis como a letra de um blues
Seu olhar de sereia lasciva me hipnotizava 
Chupava-me como quem degusta uma manga
Não sou homem de negar fogo na batalha
Sou um lobo bobo só um pouco mau
Vou atrás do alimento pelo faro
Gosto da carne nova da novilha 
Cheguei mais perto e certo da conquista
Usando a linguagem universal dos tarados
Uma língua não textual dos canastrões da estrada 
Fui me enfiando no meio de suas pernas
Encostei-me ao balcão do bar molhado de bebida barata
Beijei sua boca como quem suga leite de uma teta
Não deu tempo para nada
Nada de conversa chata
Nada de informações irrelevantes
Nada de autocontrole
Nada de preliminares 
Nada de romance
Só os nossos gemidos
Só os densos abraços
Só a ação dos nossos sentidos
Só a  libido ao som de funk
O tempo parou tudo sumiu a nossa volta
Seguimos os letreiros luminosos da ribalta
Culminado num quarto de motel de quinta
Depois a Cama redonda ficou pequena
As formas e os lençóis se renderam ao desejo carnal
Nota dez em evolução no desfile de carnaval
Confesso que nessa luta do bruto contra o belo
A harmonia entre os corpos era total
Cansado adormeci na relva do quarto barato   
Acordei e procurei a razão e a sensibilidade
Mas como deveria ser,  fiquei na saudade
Sem o nome
Sem o telefone
Sem querer...  E
Sem romance
.
                                                                                            Valdemir costa