EVENTOS E PARCERIAS



Em junho 30 dias e 30 poemas aqui!

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

MONÓLOGO DE NATAL





Monólogo do Natal 
 
                                                                                 Aldemar Paiva

Eu não gosto de você, Papai Noel!
Também não gosto desse seu papel
de vender ilusões à burguesia.
Se os garotos humildes da cidade
soubessem do seu ódio à humildade, 

jogavam pedra nessa fantasia. 

Você talvez nem se recorde mais.
Cresci depressa, me tornei rapaz, 

sem esquecer, no entanto, o que passou.
Fiz-lhe um bilhete, pedindo um presente 

e a noite inteira eu esperei, contente.
Chegou o sol e você não chegou. 


Dias depois, meu pobre pai, cansado, 
trouxe um trenzinho feio, empoeirado, 
que me entregou com certa excitação.
Fechou os olhos e balbuciou: 

“É pra você, Papai Noel mandou”.
E se esquivou, contendo a emoção. 


Alegre e inocente nesse caso, 
eu pensei que meu bilhete com atraso, 
chegara às suas mãos, no fim do mês.
Limpei o trem, dei corda, 

ele partiu dando muitas voltas,
meu pai me sorriu e me abraçou pela última vez. 


O resto eu só pude compreender quando cresci
e comecei a ver todas as coisas com realidade.
Meu pai chegou um dia e disse, a seco: 

“Onde é que está aquele seu brinquedo?
Eu vou trocar por outro, na cidade”. 


Dei-lhe o trenzinho, quase a soluçar
como quem não quer abandonar 
um mimo que nos deu, quem nos quer bem, 
disse medroso: “O senhor vai trocar ele?
Eu não quero outro brinquedo, eu quero aquele.
E por favor, não vá levar meu trem”. 


Meu pai calou-se e pelo rosto veio descendo um pranto que, eu ainda creio,
tanto e tão santo, só Jesus chorou!
Bateu a porta com muito ruído, mamãe gritou

ele não deu ouvidos, saiu correndo e nunca mais voltou. 

Você, Papai Noel, me transformou num homem que a infância arruinou, sem pai e sem brinquedos.
Afinal, dos seus presentes, não há um que sobre
para a riqueza do menino pobre
que sonha o ano inteiro com o Natal.

Meu pobre pai doente, mal vestido, 

para não me ver assim desiludido, 
comprou por qualquer preço uma ilusão,
num gesto nobre, humano e decisivo, 
foi longe pra trazer-me um lenitivo, 
roubando o trem do filho do patrão. 

Pensei que viajara,
no entanto 
depois de grande,
minha mãe, em prantos,
contou-me que fôra preso
e como réu, ninguém a absolvê-lo se atrevia.
Foi definhando, até que Deus, um dia, 

entrou na cela e o libertou pro céu.




 
 Origem.
http://www.recantodasletras.com.br/poesias-de-natal/4053635

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O FANTASMA DOS NOSSOS NATAIS PASSADOS

Os Fantasmas dos Nossos Natais Passados

Cheguei a singela conclusão,  que odeio o natal.
Todas aquelas coisas vermelhas e douradas.


As luzes, que só servem para enfeitar e
consomem um monte de energia elétrica.
Aquelas canções chatas com aqueles refrãos piegas.
A correria para comprar presentes fúteis e gastar um dinheiro que não temos.
As imitações de pinheiros  dourados ou brancos imitando neve.
Os programas de ajuda “tipo natal sem fome” ou campanha do agasalho.
A decoração extravagante dos shoppings nesta época.
O bacalhau comprado a preço de ouro e as frutas que só são vendidas nessa época, por que são muito caras.
A ceia com mais comida do que o ano todo, enquanto tem gente

  sem nada pra comer.
E toda essa hipocrisia reinante no espirito do natal, que acaba no ano novo.
Mas sem sombra de dúvida, o que eu mais odeio no natal é aquele cara gordinho de barba e bigodes brancos, vestindo um agasalho vermelho em pleno verão carioca, dando aquela risada ridícula, que entrega presentes para todas crianças, mas nunca passou pela minha casa.




Valdemir Costa