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sábado, 10 de novembro de 2012

Amar alguém incondicionalmente



A sensação de ser o alvo da atenção de quem se ama

Amar alguém incondicionalmente é algo tão estranho quanto à própria palavra incondicionalmente, que de tão grande chega ser angustiante ter um sentimento deste montante dentro da gente. Pior é não saber que se ama tal gente, imagine não saber o que sente e descobrir por acaso ou num sonho numa noite mal dormida, que o aquilo que a muito sentia não era amizade era mais forte que tudo antes sentido na vida. De certa forma é de balançar as estruturas do nosso caráter, criar uma dúvida plausível em qualquer convicção existente na mente do sujeito. Um problema sem solução se o  próprio amante nem sábia que estava amando como o ser amado saberia e cairia em si. Mistérios do coração esse órgão sem compaixão com os fracos e sensitivos da emoção. Aqueles que se prendem aos detalhes, reparam em piscar de olhos, preferem lágrimas verdadeiras a sorrisos falsos, aceitam as perdas ocorridas em  gloriosas lutas a vitórias fáceis baseadas ações covardes. E um dia acordasse e percebesse que está apaixonado por alguém que  sempre ao seu  lado nunca foi se quer mencionado no diário louco dos sentimentos do coração, sempre foi a amizade a sua maior motivação da solicitação da sua presença, a origem da indagação do estado e o sentido da busca. Nunca pensei que alguém pudesse se apaixonar pela sensação de ser o alvo da atenção de quem se ama. Sentimento sem conclusão ou retribuição no plano físico, já que até a pessoa que ama ainda não sabe disso. Nem todos os sábios do mundo resolveriam essa questão, como se pode amar alguém e achar melhor essa pessoa amar outrem. Não querer consumar esse sentimento de uma forma carnal, preferir serem as tardes de domingo as noites luxuriosas do carnaval. Amar alguém desta forma é avassalador como a explosão de uma super nova e se renova ao saber a verdade que antes se omitia entre as conversas e elogios vazios, que inocentemente surgiam nas bocas de ambos.  refletindo o sabor excipiente dos sentimentos intrínsecos  guardados bem lá no funda da mente. A descoberta foi a queda, a quebra de paradigma, o retorna a reta, o erro da seta que indicava o caminho, que sem saber mesmo acompanhado caminhava sozinho. A solução para esse amar e deixar o tempo assassino voraz, dar cabo de toda vontade guardada no papo, presa na garganta e nunca colocada à prova.  Como sempre acontece com o amor, mesmo sendo incondicional não é eterno, e agora, já liberto e exposto, tem seu fim decretado. Com o passar das eras na vida suas idas e vindas tudo estará terminado e como começou esse amor que já foi incalculável se tornará uma mera lembrança como o sabor de um doce que experimentamos quando criança.

Valdemir Costa