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sábado, 17 de dezembro de 2011

PSR- Ponto Sem Retorno

O Ponto Sem Retorno

O conhecimento é ao mesmo tempo um poder e um vício, um armistício, para o soldado um ardil, para o líder um projetil. Para o politico uma arma carregada, uma lança apontada, uma rajada de fogos, um artificio. Um atirado com a mira ajustada num comício. Um vírus solto no ar de um edifício, uma febre terçã na hora certa, um cambalacho, um suicídio. A nota perdida no bolso da roupa já esquecida, a chave do carro forte na despedida. A venda nos olhos antes do fuzilamento, o ultimo pedido certo no exato momento, as chaves da sala das armas antes do julgamento. Receber hoje o jornal de amanhã, uma maldição. Saber que vai morrer num acidente, uma benção. Correr contra o tempo dentro de uma prisão, libertar a sua mente até alcançar a perfeição. Saber que vai morrer um dia não é novidade. Saber o dia em se vai morrer é uma vantagem. Manipular seu tempo para não ser manipulado por ele é uma virtude. Usar o tempo sem que ele perceba que está sendo usado é sabedoria. Não esquentar com o tempo e suas idiossincrasias uma é a verdadeira imortalidade. Lidar com a sua ignorância antes de sequer pensar em analisar os outros é a verdadeira inteligência. Lutar contra a tentação de ser o senhor e mestre de suas indulgências é a verdadeira liberdade.  Aceitar sem demérito algum suas próprias insignificâncias é ser completo.


Observa suas atitudes como se fosse um espírito fora do corpo. Ser o corpo, o médico e a família durante a autópsia do morto. Ser os sinos que dobram e quebram rotina na pequena cidade e o sinal de trânsito que gera estresse na grande metrópole. O estouro do foguete que estava em direção do infinito. A vida que nasce da morte insensata de outro individuo. Se sair numa jornada conheça o trajeto nunca o destino. Espere o inesperado que chega carinhoso como uma amante. Volte ao inicio sempre que necessário e de forma obrigatória no final de cada período. Seja leva como a pluma e forte como o aço. Respeite todos, mas só tema a si mesmo, mesmo que você seja quase o outro. Conheça seu passado, trabalhe seu presente e calcule seu futuro.  Cabecear a bola contra todas as chances de desviar no zagueiro, no goleiro, na trave, é algo mágico.  Fazer o gol derradeiro é consequência do improviso. Tenha a verdade como alvo não como meta. Conheça os seus limites para que nenhum paliativo seja usando como consolo. Obter conhecimento, ter noção e saber como usa-lo é um ponto sem retorno.



valdemir Costa